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Pesquisa em educação.
A diversidade temática e metodológica, uma aposta da magis
Investigación en educación.
La diversidad temática y metodológica, una apuesta de magis
Research in Education.
Subject and Methodology Diversity, the bet of magis

Esteban Ocampo-Flórez. Director, magis Revista Internacional de Pesquisa em EducaçãoPontifícia Universidade Javeriana, Bogotá, Colômbia

 

Apresentamos o nosso segundo número da magis, Revista Internacional de Pesquisa em Educação, com imensos desejos de continuar sendo um aporte à reflexão e a pesquisa no campo educativo.

Com satisfação, lhes compartimos que nesta segunda entrega contamos com uma importante contribuição de educadores de diversas partes do mundo, tal como poderão constatar mediante a leitura do presente número. Nele encontrará textos procedentes da Alemanha, Argentina, Austrália, Espanha, Estados Unidos, México e Colômbia, o que demonstra novamente o interesse que os pesquisadores em educação têm em apresentar às comunidades acadêmicas, os seus desenvolvimentos investigativos e as suas reflexões.

Além de continuar com o interesse da magis, em apresentar artigos de meta-pesquisa, ensaios e resultados derivados de processos de pesquisa rigorosos e pertinentes para nosso contexto, a revista começa a incluir outro tipo de reflexões que construam um contexto para situar o trabalho de pesquisa e para promover o debate e a deliberação na comunidade de pesquisadores. Neste sentido, a partir deste número, começaremos a publicar ensaios, entrevistas, lições inaugurais, resenhas e outro tipo de escritos que gerem um contexto para o trabalho de pesquisa. Neste mesmo sentido, a partir do terceiro número, publicaremos outro tipo de textos que se refiram à discussão de perspectivas, enfoques e sentidos da pesquisa em educação.

Esta é a razão da publicação, deste segundo número, da Lectio inauguralis I 2009, da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Javeriana de Bogotá, titulada Educação para um novo humanismo, sob a responsabilidade do professor e filósofo Guillermo Hoyos Vásquez, ligada a entrevista Depois da bancarrota. Sobre a necessidade de uma ordem internacional, que o filósofo alemão Jürgen Habermas concedeu recentemente ao jornal Die Zeit. Desde magis, solicitamos ao jornal e a Habermas autorização para realizar a tradução e sua publicação, pois consideramos que a relevância e pertinência destas temáticas contribuem a construir um contexto para a pesquisa, entendendo que nenhuma pesquisa, e ainda menos em educação, se dá no vácuo e, de alguma maneira, deve entrar em diálogo, ou pelo menos considerar as implicações que todo processo social tem para seu desenvolvimento e compreensão.

Com respeito aos artigos que constituem o presente número da magis, cabe destacar o interesse que suscita nos pesquisadores a preocupação pela docência universitária, temática sobre a qual publicamos três artigos, pois consideramos que se trata de um campo de alta importância em nosso contexto acadêmico. Estes artigos propõem perguntas sobre a formação das pessoas que acompanham os processos educativos no ciclo terciário da educação, abordam a análise da formação destes docentes sobre leitura acadêmica e problematizam a socialização profissional do novel professor universitário, bem como sua formação pedagógica. Estes textos oferecem interessantes pistas para avançar na reflexão e intervenção sobre este tema.

Outros temas relevantes, como objetos de reflexão e pesquisa, relacionam-se com as categorias de aprendizagem e motivação, localizadas nesse importante nexo entre a psicologia e a pedagogia. Neste sentido, os autores indagam pelas relações entre a aprendizagem centrada no estudante e sua capacidade para assumir as implicações desta em sua atividade cotidiana de aprendiz, nas salas de aula universitárias; bem como as aprendizagens cooperativas com respeito às práticas pedagógicas orientadas ao desenvolvimento escolar e cultural. A motivação tem sido e seguirá sendo uma preocupação dos pesquisadores em educação e este número explora sua relação com a permanência dos estudantes na universidade e com o aproveitamento dos chamados programas complementários no ensino das ciências.

Outro campo temático que se aborda em alguns dos artigos deste número, refere-se à formação para a cidadania em sociedades democráticas e a resposta ao reconhecimento da diversidade cultural, étnica, social, acadêmica e econômica, em termos de inclusão, reconhecimento e aceitação como elementos que sustentam a construção e o desenvolvimento da sociedade. As pesquisas que se apresentam, neste sentido, desenvolvem considerações de grande importância relacionadas com preocupações sociais que devem ser incorporadas a reflexão pedagógica, dada sua complexidade dentro dos sistemas educativos. Sem dúvidas que uma educação pertinente deve afrontar perguntas sobre estes e outros temas de natureza social, que se evidenciam com grande força em diferentes culturas desde a metade do século passado e que pedem respostas.
A leitura tem sido um dos temas com maior número de referências na literatura educativa. Este número da magis conserva esta presença com dois artigos: um relacionado com a leitura compartilhada, mediante um relatório sobre um trabalho intercultural a partir do qual se reconhecem estratégias de aprendizagem de importância para enfrentar esta competência amplamente valorizada em todos os grupos sociais; e um artigo que dá conta dos processos de leitura no âmbito da educação superior.
Por outro lado, é comum encontrar, na pesquisa educativa e pedagógica contemporánea, referencias às pedagogias clássicas de teóricos como Johann Friedrich Herbart, Jean-Jacques Rousseau, Johann Heinrich Pestalozzi, e a teorias psicológicas como a genética ou a vygotskyana. Mas são pouco usuais desenvolvimentos provenientes de perspectivas relativamente recentes na historia das idéias pedagógicas, como o caso da psicanálise. Uma das apostas da magis, desde o seu primeiro número, consiste pôr em discussão perspectivas diversas em suas epistemologias, suas construções metodológicas, seus enfoques; evidentemente, assinalando seus alcances e limitações. Neste marco se situa os textos de nosso convidado, o professor e psicanalista Guillermo Bustamante, pesquisador com ampla trajetória em dois campos altamente complexos: a educação e a psicanálise. Em seus escritos, delimita uma perspectiva desde a qual é viável pensar a pesquisa educativa, desde a psicanálise. No texto que abre este número, propõem, na primeira parte, uma posição epistemológica para pensar a pesquisa desde a psicanálise e na segunda, apresenta um avanço de um estudo concreto que vincula psicanálise e educação. O professor Bustamante assinala alguns limites necessários que delimitam as pretensões de objetividade e universalidade na pesquisa, e defende a restituição da singularidade.

Se bem a variedade temática na pesquisa educativa é por si atraente, desafiante e geradora de novas reflexões, a perspectiva epistemológica e metodológica que sustenta os diferentes estudos é tão ou mais interessante. Nos artigos oferecidos aos leitores da magis, encontram-se as propostas de abordagem dos objetos de estudo, mediante a pesquisa hermenêutica, teórica, reflexiva e crítica, os desenhos de grupos, próprios dos estudos quase experimentais e os estudos de caso, dos quais encontramos um bom número de artigos.

Com isso se ratifica a pluralidade metodológica que tem a pesquisa educativa. Sua presença obedece tanto à natureza de seus objetos de estudo, como a confluência de múltiplas disciplinas na sua compreensão e explicação a diversidade de perspectivas e a abertura de quem realiza a crítica epistemológica, rasgos que caracterizam a riqueza com que conta o campo da pesquisa em educação.
Esta diversidade justifica que magis siga abrindo espaços para a deliberação e a leitura crítica de enfoques, perspectivas, objetos e métodos com e desde os quais se realiza a pesquisa em educação. Consideramos importante perguntar-nos, como vários dos pesquisadores que publicam neste número têm feito, pelos alcances e limites de optar, por exemplo, pela teoria fundamentada como perspectiva epistemológica, ou pelo estudo de caso como alternativa para a compreensão dos processos educativos, ou se o caráter prático dos processos educativos determina una aproximação a seu estudo desde as perspectivas hermenêuticas. Da mesma maneira, vale à pena perguntar pela pertinência teórica (e metodológica) dos estudos empíricos e o lugar que as pesquisas etnográficas, etnometodológicas e fenomenológicas, para mencionar somente algumas, na melhor compreensão da teoria educativa e de suas possibilidades para contribuir à educação.

Esteban Ocampo-Flórez
Diretor, magis, Revista Internacional de Pesquisa em Educação
Faculdade de Educação
Pontifícia Universidade Javeriana, Bogotá, Colômbia
eocampo@javeriana.edu.co.

Número 2
Janeiro- Junho 2009
ISSN On-line edition
2027-1182
 
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