Durante o ano inteiro e quase todos os anos, nós que temos a sorte de estar próximo das instituições cuja missão associa-se com a produção, discussão e circulação do conhecimento, nos sentimos abrumados pela quantidade de atividades nas quais se apresentam os progressos da pesquisa, os produtos da intervenção e os resultados da reflexão de um importante grupo de acadêmicos, pesquisadores e profissionais em geral.
Isto é mostra da inquietude epistemológica, teórica e metodológica das comunidades acadêmicas que, no cumprimento do seu dever com a ciência e com a sociedade, ocupam grande parte de seu tempo em tentar compreender, explicar e transformar situações que são consideradas de interesse para o progresso da ciência e para o melhoramento da qualidade de vida das pessoas e os grupos.
A educação e a pedagogia não escapam a este movimento, por isso é quase impossível participar de todas as reuniões, seminários, encontros, congresso, cátedras, conferência e outras inumeráveis atividades em que são postos a disposição para o debate uma variedade de temas, cada um dos quais mereceria muitas horas mais de discussão e talvez muitas mais de confrontações para sua validação.
magis, Revista Internacional de Pesquisa em Educação, junta-se a este esforço da academia para construir cenários que propiciem a divulgação dos descobrimentos, as pesquisas, as reflexões as aplicações do conhecimento educativo e pedagógico. Por sorte, temos podido comprovar que são muitos os acadêmicos que consideram valioso reformular suas produções para que possam ser publicadas e nesta medida possam converter-se em contribuição para outros trabalhos e em material para a crítica acadêmica. Teremos que continuar fazendo um esforço encaminhado à busca de leitores e, em particular, leitores qualificados.
Tanto ou mais importante que contar com boas publicações, é poder contar com leitores qualificados para os artigos que tantas revistas de qualidade põem a disposição dos pesquisadores, de seus grupos e das comunidades em geral. Uma pergunta que acomete a quase todos os responsáveis de publicações como as revistas científicas, é como conseguir seu posicionamento entre aquelas pessoas que possam beneficiar-se com seus artigos. Até parece que isto não é necessário, pois aquelas pessoas que pesquisam, estudam, preparam seu trabalho de conclusão, desejam melhorar sua prática, dedicam-se à docência em qualquer dos níveis do setor educativo, realizam inovações, etecetera, estariam ávidos destas e, além disso, manteriam acesos os alarmes sobre as publicações que existem em seu campo.
Mas na verdade não é bem assim. Como dizia um acadêmico na apresentação de seu livro, se na realidade “existe escassez de escritores, mas existe ainda mais escassez de leitores”. Por isso, a aspiração de editores e diretores e seus respectivos comitês por fazer parte de índices, bancos de dados, coleções e demais classificações que permitem a chamada “visibilização” e reconhecimento da produção acadêmica, não sempre com o interesse de fazer mais acessível o conhecimento a um maior número de pessoas, senão de fazer o jogo às demandas do consolidado mercado do conhecimento. Não se trata de colocar-se à margem disso, senão de não perder a perspectiva para a qual se geram estas publicações.
Por isso, o convite aos nossos amáveis leitores a que nos apoiem para que os artigos cuidadosamente selecionados neste terceiro número de magis, sejam dados a conhecer em seus grupos de pesquisa, entre seus estudantes e a todas as pessoas que possam beneficiar-se dos temas aqui apresentados.
Como em quase todas as revistas deste tipo, podem-se encontrar artigos que refletem sobre os aspectos éticos e sociais, a formação inicial de professores, as razões para escolher e permanecer na escola, a dimensão corporal e a brincadeira como elementos dinamizadores na educação inicial, as dificuldades de aprendizagem de conceitos especializados, o papel da família, o desafio da diversidade e a revisão do ensino da leitura e da escritura em 1940. Abrimos o número com um interessante artigo, sobre as implicações do uso das tecnologias em âmbitos educativos e na vida cotidiana.
Cabe destacar que estes escritos provêm de oito países (Alemanha, Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra e México), sendo a maioria deles de autores espanhóis.
Sentimo-nos muito orgulhosos de nosso novo número e esperamos que, para vocês, sua leitura seja de grande valia.
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